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Subo a minha ladeira caraminhola, os degraus íngremes que me afastam das picuinhas, dos rastros, das rasteiras, e suando chego no alto do mundo, onde aviões passam por dentro da minha cabeça, micos entram na minha cozinha pela porta, papagaios gritam em bandos uníssonos em polvorosa, bananeiras gemem noite e dia em lenta agonia, a cadela negra decola, sobe e desce a escada repetidas vezes como um elevador louco disparado, sem cansar-se, cata-ventos da Região dos Lagos, pêndulos, marés, ponteiros, até o tempo voar pra trás, paz na minha cachola, novela, livro ou foto em preto e branco. Alternativa, ensolarada, quieta. Ouço ao longe os disparos e os sustos das festas regadas a música antiga e longínquo falatório. Não jogo as tranças.
Escrito por GH às 19:27
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Sono de vinte e quatro horas, um filme! Que me tire de mim, que me leve essa sensação paralisante de sofrimentofobia. Quero a tolice de volta, a leveza, a alegria, mesmo a besta alegria, cega, tola, pura, prosaica, boba, boboca, otária, desperdiçada hoje como cerveja choca, dor arquetípica, aflição arcaica, angústia hereditária. Nada me toca hoje, envolta em panos de camuflagem, solidão pesada e inesperada agonia.
Sonhei que caminhávamos em Copacabana.
Quando chegamos na boca do túnel, parei e disse que dali pra frente eu não podia ir.
Caminho interditado.
Nós nos despedimos e você seguiu.
Não te segui e a escuridão te engoliu.
Nem quando você está na minha frente dizendo: vamos juntos.
Nem assim acredito que vamos juntos.
Nunca te espero.
Há sempre um cortejo de desejos, culpas, desculpas malucas.
gloriahorta.net
Continua
Escrito por GH às 19:09
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