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O mundo é melhor quando se dança até cair gotas de suor dentro do olho. Quando se vê dois filmes seguidos. Quando se ouve ritmos latinos. E quando armam tendas de noite ao ar livre em chão de grama e céu de estrelas. Adoro tendas. Nelas sempre vejo Gente Cabeça.


Escrito por GH às 05:30
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Escrito por GH às 05:24
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Escrito por GH às 05:07
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Adoro tendas. Nelas sempre vejo Gente Cabeça.
II Festival Latino-Americano de Música Instrumental - Museu da República - SESC - set/2005
Escrito por GH às 04:58
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Acordei cedo e não gosto.
Corri o dia inteiro pra lá e pra cá, subi e desci, almocei olhando o relógio e antes de dormir nem verifiquei, como gosto, se o céu tinha nuvens.
O sol não me iluminou, o vento não me bateu, o mar não me molhou, meus pés não tocaram o chão.
Nem fiz poema, ginástica.
Foi tudo pressa e deveres e dormindo sonhei com ondas, risos, porque em mim mora uma criança alegre. Já disseram que eu não tenho medo de passar vergonha e eu sei lá se é elogio.
Há que se respeitar a vontade do próximo.
Você quer pagar-lhe um dente que falta na frente, colocá-la na escola, e vê-la morando em algum lugar fora das ruas. Mas ela só quer que você lhe tire fotos e fotos.
A estrada não me viu passar, fiquei enraizada debaixo da chuva que corta caminhos. E nubla meu coração tolíssimo.
Quando escurece, é natural que as ferramentas de consertar o mundo e organizar amores transbordem cabeça afora porque se me derem uma idéia naufrago em desdobramentos e assusto.
É natural que desligue o aparelho e não receba mensagens, que silencie o celular para que nenhum ruído me atrapalhe a solidão escolhida.
Não fiquei no samba, não furei ondas, furei. Disfarcei e saí de fininho porque não deu o clique. Nada vibra, exceto o telefone que ignoro.
A semana só não é monocórdia porque invento prazeres, aceito convites, confiro. E brinco de qualquer coisa porque a vida brinca comigo do mesmo jeito e passamos uma pela outra tão rápido que me perco nas agendas que anoto e não leio, nas fotos que tiro e não vejo, no encontro que marco e falto sem culpas.
Meu coração é quem dita, quem premedita, quem me esconde recados. Segui-lo é seguir-me. Metamorfose.
Tudo que poderia ser trágico, patético, fica engraçado na vida e rio de mim como quem vai ao cinema só se for comédia. A primeira da fila pergunta pra bilheteira se o filme é romântico, é, não compra. A segunda da fila vai ao cinema de lenço no bolso porque no escuro se chora pelo infortúnio do personagem e quem quiser pode continuar chorando no escurinho sem olhar a tela porque o que rola nela não mais importa.
É a despretensão da vida que chateia. A teia de relações sem sentido obriga os mais afortunados a inventarem uma linha. Deixo a imaginação bem solta para que alce vôo e me leve bem leve a caminho.
Meu ninho é pequeno e nele me aconchego quando chego para jogar palavras e adoçar meu ânimo. Querem que eu esteja sempre alegrinha, mas dá licença? Posso chorar de noite, salpicar de sal o poema, amargar como água do mar, como lágrima? Acho a tristeza linda sábado à noite. Posso?
Escrito por GH às 06:49
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Quem quiser dançar que dance. Daqui ouço música brega, escuto vozes
bêbadas longínquas e nada há que me encante hoje, decidi-me pelo orgulho de ser
diferente. Acho a natureza humana chata e de vez em quando preciso cortar com
ela. Assim me fortaleço supondo-me diferente de toda essa gente que quando
chove, diz: É o tempo...
Escrito por GH às 05:45
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Gosto de conversas intrigantes e de pessoas complexas, confusas e engraçadas. A menina gorda que mora nas ruas não me pareceu infeliz e isso me encanta. Meu amigo lindo toca violão e me falou de cifras. A imprensa só noticia desfalques e elenca cifras. A mídia se aprimora em oferecer más notícias e ainda se gaba por ser transparente, eu não acredito, é mentira dela, a beleza pode morar nas ruas, ter só um pé de chinelo, dormir na marquise e ser livre. É mentira que a realidade se resume a ladrões de merenda, arrastões na praia de ladrões sem peixe, futricas na câmara, assassinatos macabros, denúncias sem devolução de dinheiro, casamentos badalados de atrizes, festas de bicheiro, capítulos baratos de novela e outras asneiras. A beleza não sai no jornal de hoje em dia. É a porcaria travestida de informação o foco dos veículos. Pego meu carro preto e pego a estrada quando posso. Gosto de transportar-me, os pensamentos azedos são pesados enredos que se deslocam no ritmo antigo das charretes. Por isso quando cruzo cidades eu me liberto. Os azedumes não me alcançam, perdem-se no espelho retrovisor. Só os anjos que pegam o sol das ruas conseguem voar na minha cabeça.
Escrito por GH às 05:44
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Viu? Já nem estou mais amarga.
A realidade é uma história inventada e vez por outra se transmuta. Adoro gente que viaja. E que dá gargalhadas jogando a cabeça pra trás. E que descobre coisas, ao passo que a massa amorfa pisa na beleza enquanto caminha apressada.
A turba tem pressa. É afoita. Bom mesmo é navegar em idéias tolas, de noite, quando o mundo vira um sábado à noite afobado.
De pirraça me aborreço. Continuar irreverente. Ignorar essa gente que circula anos feito pêndulo, monocórdia. Quero ficar sozinha um dia inteirinho e reencontrar meus risos, meus anjos, minha loucura.
Quem quer marchar com a massa que marche. Eu me iludo satisfeita supondo que mudo o mundo transgredindo uma transgressão que ninguém nota.
Mas isso também não me importa. Oscilo entre o tédio, o ódio às notícias fajutas, o orgulho besta de pensar-me ovelha desgarrada das ovelhas, iludida, pois se passei a semana almoçando de olho no relógio, que transgressora é essa, me diga!
Tenho pensamentos rebeldes, esse é o meu mote. Quero reinventar a vida, os relacionamentos. E não ligo a mínima se você disser que o mundo novo só cabe no meu pensamento. Eu me contento.
Escrito por GH às 05:43
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O filme Doces Bárbaros me trouxe muitas saudades. Das transgressões sadias de antigamente. Do cabelão da Gal que eu também tinha e dos mil colares. Da esperança que o mundo acalentava apesar de todos os infortúnios que a raça humana produz para si mesma. O mundo era jovem, era isso.
Hoje a Aldeia Global é uma velha idosa que não amadurece. Não aprendemos nada que verdadeiramente importe, foi isso. A globalização, os celulares, a interdição do cigarro, a eterna juventude das cirurgias plásticas, os avanços da medicina, as academias de musculação proliferadas, as novas e moderníssimas formas de guerra, o inchaço das cidades, os mitos pré-fabricados são o ganho oco de uma espécie que hoje acha que ser moderno é fazer muitas coisas ao mesmo tempo e cada vez mais rápido.
De nada valem a avalanche de e-mails sem conteúdo e o turbilhão de notícias chapadas, se o rosto do mundo é amargo como um telejornal colagem. Nenhuma informação seria desperdício se reavaliássemos os comportamentos, se o bem-estar dos seres humanos fosse uma meta e não um privilégio.
Transgrediria, se não vivêssemos um avacalhado vale-tudo. Se os rebeldes não fossem produtos. Não são os vinte anos que eu tinha o alvo do meu ilegível lamento.
É a inutilidade dos grandes gestos e a invisibilidade da decência o que me angustia, oprime e interdita. Ninguém noticia, ninguém mostra a cara daqueles que não se corrompem e permanecem num solitário anonimato. O que interessa aos meios de comunicação é o que apodrece, o que finge dar certo pra tirar retrato e sair na Caras. As reiteradas denúncias de corrupção são capitalizadas para fins escusos. Os grandes gênios são contratados e domesticados, comestíveis e datados.
A essência se perde entre máscaras e palavras adequadas ao bom senso, que, aliás, detesto.
Escrito por GH às 05:40
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O medo tomou conta dos aparvalhados, a aventura é vendida em pacotes pagos com prestações mínimas a perder de vista. É claro que o Banco sempre empresta sanguessugas.
É como se soubéssemos de antemão tudo que nos vai acontecer e relaxássemos, enganados pela ingênua e falsa premissa. A segurança do bom comportamento é de mentirinha. Por dentro continuamos pipocando de vontade de jogar tudo que não nos serve num lixão reciclável. Seguimos sendo meros humanos jogados como dados a sua própria sorte.
A felicidade é fake.
A única garantia é morrer um dia. Mas os tolos teimam em viver a vida como se ela fosse uma carta promissória. O pecado persegue os fracos. A culpa garante a corda no pescoço, o empurrão e o banquinho imaginário para os mortos-vivos, clones dos cloninhos. A possibilidade de ser diferente assusta os medíocres. Homens grisalhos usam bonés terríveis, bermudas americanóides e meias soquete enquanto as mulheres disfarçam a agonia dentro das burcas do pretinho básico. Nem flor no cabelo pode mais.
Os consumidores, como somos chamados, os internautas, como somos chamados, os adaptados não conhecem mais a euforia de mergulhar fundo e de cabeça no desconhecido, nem o arrepio delicioso do perigo que ronda os caminhos inusitados.
Seja você quem for seja o que deus quiser é mais nada que letra de música. Enquanto você se esforça pra ser um sujeito normal e fazer tudo igual, eu assisto Doces Bárbaros e vou dormir meio amarga.
Quem me vê não me vê. Estou disfarçada.
CONTINUA
Escrito por GH às 05:27
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